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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Centro Wanalea acolhe mais uma menina abandonada
Na quarta-feira passada, dia 12 de Outubro de 2011, a ADDHU acolheu mais uma menina no seu Centro de Acolhimento Wanalea em Nairobi, Quénia. A menina tem 5 anos e chama-se Georgina Kabasa. As autoridades estão a tentar localizar familiares da menina, sem sucesso até agora. É pouco provável que, nestas circunstâncias, a menina regresse à sua família.
Entre os mais de 50 orfanatos que existem no distrito de Kajiado, onde se situa o Centro Wanalea, as autoridades quenianas escolheram o centro da ADDHU por considerarem ser o único local que oferece às crianças um verdadeiro ambiente de família.
Infelizmente, depois de levarmos a Georgina ao hospital para realizar exames médicos, descobrimos que a menina é seropositiva. Felizmente, ao nosso cuidado, terá acesso aos cuidados médicos que necessita para crescer com saudável e ter uma vida normal.
A Georgina ainda está a adaptar-se à sua nova casa e família, mas um sorriso já começa a esboçar-se nos seus lábios. Bem-vinda à nossa família Georgina: que encontres aqui o amor e carinho que mereces e que todos os teus sonhos se tornem realidade!
Entre os mais de 50 orfanatos que existem no distrito de Kajiado, onde se situa o Centro Wanalea, as autoridades quenianas escolheram o centro da ADDHU por considerarem ser o único local que oferece às crianças um verdadeiro ambiente de família.
Infelizmente, depois de levarmos a Georgina ao hospital para realizar exames médicos, descobrimos que a menina é seropositiva. Felizmente, ao nosso cuidado, terá acesso aos cuidados médicos que necessita para crescer com saudável e ter uma vida normal.
A Georgina ainda está a adaptar-se à sua nova casa e família, mas um sorriso já começa a esboçar-se nos seus lábios. Bem-vinda à nossa família Georgina: que encontres aqui o amor e carinho que mereces e que todos os teus sonhos se tornem realidade!
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Viver num bairro de lata do Quénia em tempos de crise alimentar...
No bairro de lata de Mukuru em Nairobi vivem cerca de 200.000 pessoas. A alarmante subida de preços torna impossível para estas gentes o acesso aos alimentos básicos.
O mesmo acontece no bairro de lata de Soweto, Kayole, com 400,000 pessoas ou o de Kitui Ndogo, Majengo. Neste dois últimos a ADDHU tem realizado distribuição de alimentos de forma regular. Até quando? Só a boa vontade e a solidariedade de todos nós o dirá.
Como tem sido largamente noticiado a pior crise humanitária de sempre tem vindo a devastar a região do Corno de África: na semana passada o preço dos cereais atingiu novamente preços recorde no Quénia, na Etiópia e na Somália. Ainda para mais, começa a haver escassez no abastecimento de cereais e outros bens básicos. A pior seca dos últimos 60 anos em combinação com os alarmantes aumentos nos bens alimentares básicos e nos combustíveis criaram um “triângulo da fome” que deixou mais de 12 milhões de pessoas sem meios para se puderem alimentar.
No Quénia, 3,5 milhões de pessoas enfrenta uma situação de fome extrema. De acordo com dados recentes, 385.000 crianças e 90.000 mulheres grávidas e a amamentarem sofrem de má nutrição. Estas gentes que vivem em bairros de lata estão a sentir de forma bem dura os efeitos da seca. Em Nairobi estima-se que dois terços da população vive em bairros de lata.
Estas famílias têm de pagar alojamento, o uso diário de latrinas, água, querosene para cozinhar e para as lamparinas, transportes, propinas escolares (mesmo as públicas) e os cuidados de saúde (mesmo em hospitais públicos).
Por causa da seca, os preços subiram 200% e há escassez de alimentos como a farinha de um milho próprio com que fazem o ugali, base da alimentação de quase todos os quenianos.
Como é que sobrevivem? As histórias são muitas e repetem-se assustadoramente: prostituição de uma jovem mãe que recorre a esta prática para alimentar a sua filha e que passado pouco tempo, já são dois filhos e depois três, enfim, um circulo sem fim; outros dedicam-se à venda de drogas e roubo. É comum ver-se nos bairros de lata crianças que chupam pedrinhas para enganar a fome ou outras que cheiram cola para se sentirem dormentes. Muitas das raparigas que se dedicam à prostituição chegam de manhã a casa da vizinha que ficou a tomar conta dos filhos trazendo 50 shillings (cerca de 40 cêntimos), por vezes nem isso pois não foram pagas ou foram espancadas. Por vezes, trazem um pouco mais de dinheiro. Mas como continuar a sobreviver se devido à seca 1 quilo de farinha com que alimentavam os filhos por 2 dias, e que custava 50 shillings, custa agora 200? E os 8 euros que têm de pagar para viverem num buraco infecto sem qualquer tipo de condições mínimas nem para um animal, quanto mais para um ser humano? A lista é longa e conheço de perto esta realidade.
Tento, tudo faço para ajudar, não todos seria impossível, mas o maior numero possível e tenho de pedir a Deus que me dê forças para ficar feliz com os que ajudei e não chorar pelos que tive de deixar de fora. Mas confesso: é díficil, muito difícil.
E lidar com a indiferença dos meus amigos, família, com as empresas que se cobrem com o chapéu da crise para dizer NÃO. Ou outras que nem abrem o e-mail?
Tenho de agradecer a todos os que me ajudam, cuja a grande maioria nem sequer conheço, mas que respeitam o meu trabalho e o dos meus parcos colaboradores e que acima de tudo, por pouco que tenham, partilham com aqueles que nada têm.
Um grande bem hajam para estas almas grandes, para os padrinhos e madrinhas dos meus meninos, para os que têm oferecido sacas de feijão, arroz, farinha e assim ajudar-me a aliviar a fome daquelas gentes, para aqueles que telefonam para o nosso numero solidário e divulgam e pedem juntamente comigo. Não gosto de pedir: magoa-me quando me dizem que não, quando voltam a cara. Mas tenho de ser humilde e tenho de continuar a pedir, quase a implorar tendo sempre na minha mente aqueles olhinhos de aflição, mas também de gratidão: “Afinal, dizem, estes não tiraram só fotografias, estes voltaram e deram-nos comida.”
Para terminar deixem-me que vos conte uma história que uma das voluntárias que esteve no meu Centro me enviou e que me confortou:
"Um executivo em visita a uma cidade turística saiu do hotel em que estava hospedado certa manhã para caminhar. Quando chegou à beira da praia, deparou com uma visão atordoante: inúmeras estrelas-do-mar haviam sido lançadas na praia durante a noite pela maré alta. Ainda estavam vivas e se moviam, subindo umas em cima das outras na tentativa de voltar para o oceano. Aquele homem tinha consciência de que não demoraria muito até que o sol cozinhasse aquelas pobres criaturas. Ele queria fazer alguma coisa, mas havia milhares delas, até onde se os olhos podiam ver e, qualquer tentativa de salvar todas elas seria inútil.
Assim, seguiu em frente. Caminhando um pouco mais pela praia, viu um menino que se abaixou, pegou uma estrela-do-mar e jogou-a como um frisbee de volta ao oceano. O menino repetiu o processo várias e várias vezes, aumentando cada vez mais a velocidade, numa óbvia tentativa de salvar o máximo possível delas.
Percebendo a intenção do menino, o executivo sentiu-se na obrigação de ajudá-lo e também ensinar-lhe uma dura lição de vida. Foi até o pequeno e disse:
- Filho, deixe-me dizer-lhe uma coisa. O que você está fazendo aqui é nobre, mas não é possível salvar todas essas estrelas-do-mar. Existem milhares delas. Está começando a ficar muito quente, e todas elas vão morrer. É melhor você seguir seu caminho e brincar. Não dá para faze nenhuma diferença aqui.
O menino não disse nada num primeiro momento; ficou simplesmente olhando para o executivo. Então, abaixou-se, pegou outra estrela-do-mar, jogou-a no oceano o mais longe que pôde e disse:
- Bom, eu fiz toda diferença para essa aqui."
Obrigada Marta!
O mesmo acontece no bairro de lata de Soweto, Kayole, com 400,000 pessoas ou o de Kitui Ndogo, Majengo. Neste dois últimos a ADDHU tem realizado distribuição de alimentos de forma regular. Até quando? Só a boa vontade e a solidariedade de todos nós o dirá.
Como tem sido largamente noticiado a pior crise humanitária de sempre tem vindo a devastar a região do Corno de África: na semana passada o preço dos cereais atingiu novamente preços recorde no Quénia, na Etiópia e na Somália. Ainda para mais, começa a haver escassez no abastecimento de cereais e outros bens básicos. A pior seca dos últimos 60 anos em combinação com os alarmantes aumentos nos bens alimentares básicos e nos combustíveis criaram um “triângulo da fome” que deixou mais de 12 milhões de pessoas sem meios para se puderem alimentar.
No Quénia, 3,5 milhões de pessoas enfrenta uma situação de fome extrema. De acordo com dados recentes, 385.000 crianças e 90.000 mulheres grávidas e a amamentarem sofrem de má nutrição. Estas gentes que vivem em bairros de lata estão a sentir de forma bem dura os efeitos da seca. Em Nairobi estima-se que dois terços da população vive em bairros de lata.
Estas famílias têm de pagar alojamento, o uso diário de latrinas, água, querosene para cozinhar e para as lamparinas, transportes, propinas escolares (mesmo as públicas) e os cuidados de saúde (mesmo em hospitais públicos).
Por causa da seca, os preços subiram 200% e há escassez de alimentos como a farinha de um milho próprio com que fazem o ugali, base da alimentação de quase todos os quenianos.
Como é que sobrevivem? As histórias são muitas e repetem-se assustadoramente: prostituição de uma jovem mãe que recorre a esta prática para alimentar a sua filha e que passado pouco tempo, já são dois filhos e depois três, enfim, um circulo sem fim; outros dedicam-se à venda de drogas e roubo. É comum ver-se nos bairros de lata crianças que chupam pedrinhas para enganar a fome ou outras que cheiram cola para se sentirem dormentes. Muitas das raparigas que se dedicam à prostituição chegam de manhã a casa da vizinha que ficou a tomar conta dos filhos trazendo 50 shillings (cerca de 40 cêntimos), por vezes nem isso pois não foram pagas ou foram espancadas. Por vezes, trazem um pouco mais de dinheiro. Mas como continuar a sobreviver se devido à seca 1 quilo de farinha com que alimentavam os filhos por 2 dias, e que custava 50 shillings, custa agora 200? E os 8 euros que têm de pagar para viverem num buraco infecto sem qualquer tipo de condições mínimas nem para um animal, quanto mais para um ser humano? A lista é longa e conheço de perto esta realidade.
Tento, tudo faço para ajudar, não todos seria impossível, mas o maior numero possível e tenho de pedir a Deus que me dê forças para ficar feliz com os que ajudei e não chorar pelos que tive de deixar de fora. Mas confesso: é díficil, muito difícil.
E lidar com a indiferença dos meus amigos, família, com as empresas que se cobrem com o chapéu da crise para dizer NÃO. Ou outras que nem abrem o e-mail?
Tenho de agradecer a todos os que me ajudam, cuja a grande maioria nem sequer conheço, mas que respeitam o meu trabalho e o dos meus parcos colaboradores e que acima de tudo, por pouco que tenham, partilham com aqueles que nada têm.
Um grande bem hajam para estas almas grandes, para os padrinhos e madrinhas dos meus meninos, para os que têm oferecido sacas de feijão, arroz, farinha e assim ajudar-me a aliviar a fome daquelas gentes, para aqueles que telefonam para o nosso numero solidário e divulgam e pedem juntamente comigo. Não gosto de pedir: magoa-me quando me dizem que não, quando voltam a cara. Mas tenho de ser humilde e tenho de continuar a pedir, quase a implorar tendo sempre na minha mente aqueles olhinhos de aflição, mas também de gratidão: “Afinal, dizem, estes não tiraram só fotografias, estes voltaram e deram-nos comida.”
Para terminar deixem-me que vos conte uma história que uma das voluntárias que esteve no meu Centro me enviou e que me confortou:
"Um executivo em visita a uma cidade turística saiu do hotel em que estava hospedado certa manhã para caminhar. Quando chegou à beira da praia, deparou com uma visão atordoante: inúmeras estrelas-do-mar haviam sido lançadas na praia durante a noite pela maré alta. Ainda estavam vivas e se moviam, subindo umas em cima das outras na tentativa de voltar para o oceano. Aquele homem tinha consciência de que não demoraria muito até que o sol cozinhasse aquelas pobres criaturas. Ele queria fazer alguma coisa, mas havia milhares delas, até onde se os olhos podiam ver e, qualquer tentativa de salvar todas elas seria inútil.
Assim, seguiu em frente. Caminhando um pouco mais pela praia, viu um menino que se abaixou, pegou uma estrela-do-mar e jogou-a como um frisbee de volta ao oceano. O menino repetiu o processo várias e várias vezes, aumentando cada vez mais a velocidade, numa óbvia tentativa de salvar o máximo possível delas.
Percebendo a intenção do menino, o executivo sentiu-se na obrigação de ajudá-lo e também ensinar-lhe uma dura lição de vida. Foi até o pequeno e disse:
- Filho, deixe-me dizer-lhe uma coisa. O que você está fazendo aqui é nobre, mas não é possível salvar todas essas estrelas-do-mar. Existem milhares delas. Está começando a ficar muito quente, e todas elas vão morrer. É melhor você seguir seu caminho e brincar. Não dá para faze nenhuma diferença aqui.
O menino não disse nada num primeiro momento; ficou simplesmente olhando para o executivo. Então, abaixou-se, pegou outra estrela-do-mar, jogou-a no oceano o mais longe que pôde e disse:
- Bom, eu fiz toda diferença para essa aqui."
Obrigada Marta!
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
ONU reconhece grave problema de fome nos bairros de lata de Nairobi
O Quénia está a atravessar uma das maiores secas dos últimos 60 anos. Segundo a ONU, trata-se de uma crise humanitária sem precedentes, que está neste momento a afectar mais de 10 milhões de pessoas, não só no Quénia mas também na Etiópia, no Uganda, e sobretudo na Somália onde já foi declarado o estado de fome em 2 regiões do pais.
O Quénia tem recebido uma média de 1000 refugiados por dia que vêm da Somália e do Sudão, fugindo da fome, e que vão engrossar os já superlotados bairros de lata de periferia de Nairobi.
Os preços dos bens alimentares no Quénia tem vindo a aumentar drasticamente desde o início do ano de 2011. A farinha usada para cozinhar o “ugali”, o alimento mais consumido no Quénia, sofreu aumentos na ordem dos 50%, sendo que um pacote de 2kg que custava 100 Kenya Shillings (cerca de 1 Euro) em Dezembro de 2010, custa agora 150 Kenya Shillings. Para além disso, começam também a escassear alguns bens alimentares como cereais.
Apesar da seca ter atingido sobretudo o Norte do país, esta crise também tem tido sérias consequências nas populações dos bairros de lata de Nairobi, e por isso a ADDHU vai procurar estender o seu raio de acções a mais crianças, numa tentativa de responder a esta crise alimentar sem precedentes e de responder aos inúmeros pedidos de ajuda que temos vindo a receber.
A agência noticiosa da ONU chamou à atenção para a pouca assistência dada às populações dos bairros de lata de Nairobi, onde a fome é já um grave problema. Os meios de comunicação e as grandes agências de ajuda humanitária têm-se concentrado nos campos de refugiados da Somália, mas não podemos esquecer que estas pessoas estão igualmente afectadas pela crise alimentar no Corno de África.
E é aqui que a ADDHU concentra o seu trabalho e faz realmente a diferença, onde mais ninguém está... Como sabem, a ADDHU desenvolve trabalho no Quénia, nomeadamente nos bairros de lata de Kitui Ndogo - Majengo (100,000 habitantes) e do Soweto (400,000 habitantes). De modo a responder a esta crise, estamos neste momento no terreno a desenvolver várias iniciativas nestes dois bairros de lata de Nairobi, que têm não só vindo a receber cada vez mais refugiados da Somália, uma vez que os campos do Norte se encontram sobrelotados, mas cujas populações têm vindo a ser gravemente afectadas pela crise alimentar e humanitária do Corno de África. Entre as iniciativas organizadas e levadas a cabo, importa salientar as distribuições regulares de bens alimentares às famílias mais afectadas. No dia 15 de Agosto, distribuímos cerca de uma tonelada de arroz, feijão e farinha de trigo no bairro de lata do Soweto, e no dia 23 de Agosto, voltámos a distribuir mais uma tonelada de alimentos no bairro de lata de Kitui Ndogo - Majengo. Para além disso, estamos igualemente a desenvolver um programa alimentar escolar no bairro de lata do Soweto em Nairobi, que neste momento abrange 690 crianças e que gostaríamos de alargar a mais crianças.
Mais do que nunca, o vosso apoio é neste momento crucial pois sem ele as nossas crianças iriam ser severamente afectadas por esta crise. Mais do que nunca, a vossa solidariedade e vosso carinho estão neste momento a fazer TODA a diferença! Mais do que nunca, contamos convosco para juntos enfrentarmos este momento difícil que todos nós atravessamos!
E, mais do que nunca, queríamos agradecer-vos pelo vosso esforço e pelo vosso apoio incondicional! Obrigada por acreditarem que é possível fazer a diferença!
Linha solidária ADDHU
760 300 130 (0,60 Euros + IVA)
Por cada chamada, será distribuída uma refeição a uma criança do bairro de lata do Soweto através do nosso programa alimentar escolar.
Dados bancários da ADDHU para donativos
Banco: Millenium BCP
NIB: 0033 0000 45392959245 05
IBAN: PT50 0033 0000 45392959245 05
BIC/SWIFT: BCOMPTPL
domingo, 24 de julho de 2011
Blog do Wanalea Children's Home
No blog do Wanalea Children's Home, é possível acompanhar o dia-a-dia das crianças do Centro Wanalea em Nairobi.
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